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25 de abr de 2009

Gripe suína



A Organização Mundial da Saúde (OMS) fará uma reunião de emergência neste sábado para decidir se vai declarar emergência na saúde pública internacional por conta dos casos de gripe suína que matou dezenas de pessoas no México e deixou pelo menos sete doentes nos Estados Unidos. É a primeira vez que a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, convoca um comitê de crise, desde que este tipo de iniciativa foi criada há dois anos, informou o porta-voz da entidade, Gregory Hartl.Leia mais:
Chan disse hoje que a gripe suína tem potencial para tornar-se uma pandemia, mas que não é possível prever se e quando isso poderá ocorrer. O comitê deve decidir ainda hoje se o surto de gripe suína constitui uma emergência. Caso positivo, a OMS pode considerar medidas como alertas de viagens, restrições comerciais e fechamento de fronteiras.
O nível do alerta global para pandemia de gripe está agora na fase três, o que significa que o risco de o vírus se espalhar de humanos para humanos é inexistente ou muito pequeno. O comitê decidirá se o alerta deverá ser elevado para nível quatro ou cinco, dependendo da avaliação sobre a disseminação do vírus, afirmou Hartl. Uma elevação no nível do alerta é provável, já que as evidências no México indicam que o vírus se espalhou entre as pessoas e não apenas de animais para pessoas.
Pelo menos 62 pessoas morreram de pneumonia severa causada por uma doença parecida com a gripe no México, de acordo com a OMS. Mais de mil pessoas ficaram doentes. Em algumas delas foi confirmada a contaminação por um tipo de vírus da gripe suína chamado A/H1N1. Essa variante particular do vírus não tinha sido vista anteriormente em suínos ou humanos, embora tenha havido casos de contaminação pelo H1N1. "Esta é uma grande preocupação para nós da OMS", disse Hartl.
A atual vacina sazonal para gripe não oferece proteção para essa nova doença, mas o antiviral Tamiflu parece ser efetivo contra o H1N1. "México e EUA têm grandes estoques de Tamiflu", afirmou o porta-voz da organização.
O vírus tem causado alarme no México, onde mais de mil pessoas adoeceram. Autoridades estão fechando escolas, museus, livrarias e teatros para conter a disseminação do vírus. A OMS, que tem monitorado a situação desde quinta-feira, disse que 12 casos no país foram confirmados como geneticamente idênticos ao vírus detectado na Califórnia. Autoridades norte-americanas disseram que sete pessoas foram infectas pela gripe suína na Califórnia e no Texas, mas todas se recuperaram. As informações são da Associated Press.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) analisou amostras do vírus H1N1 de alguns pacientes norte-americanos, que já se recuperaram, e disse se tratar de uma mistura jamais vista entre vírus que atacam suínos, aves e humanos.
É a gripe, também chamada de influenza, doença das mais comuns que se conhece, causada por um vírus, sendo susceptíveis de contrai-la, além do homem, também animais, e principalmente suínos, que estão entre as maiores vítimas além de pássaros.

Robert Webster, pesquisador do St.Jude Children's Research Hospital de Menphis, EUA demonstrou que o vírus da gripe, responsável pelas maiores pandemias que se tem notícia, por ele denominado de super-virus, é resultante de combinação genética do vírus que ataca o homem e aquele que ataca aves, quando simultaneamente penetram em células de porco, onde apenas um deles sozinho não desencadearia nenhum mal, porém ocorrendo simultaneidade, devido recombinação de seus materiais gênicos, o vírus resultante adquire alta infectividade, e então quando vêm a penetrar no homem são responsáveis pelas epidemias graves que já ocorreram na humanidade.

Cada sub-tipo é nocivo para determinada espécie animal, e quando infecta a espécie para a qual é o mesmo patogênico a doença decorrente transcorre sem maior gravidade ou complicações; Vindo porém a infectar espécie animal para a qual não seja o sub-tipo patogênico, não ocorrem sinais ou sintomas da infeção, como ocorre com suínos infectados pelo sub-tipo de aves ou o sub-tipo do homem. Porém, ocorrendo penetração do sub-tipo de aves em suínos, e simultaneamente a variedade humana, embora os suínos não fiquem doentes, porque nenhum dos dois sub-tipos lhe é patogênico, tais sub-tipos se recombinam geneticamente, servindo o porco como verdadeiro criatório para a variedade de vírus que dessa combinação gênica resulta, e vindo tal super-virus a infectar o homem, sobrevem a doença com inusitado ímpeto e gravidade.

Esclarecendo melhor o assunto: o sub-tipo humano somente é nocivo ao próprio homem, assim como o sub-tipo das aves o é às aves e aquele de suínos o é a essa espécie animal, o mesmo ocorrendo com o sub-tipo de eqüinos que sómente é infectante aos eqüinos. Em caso de penetração desses sub-tipos na própria espécie para os quais é o mesmo nocivo, a doença transcorre com suas características próprias e sem maiores conseqüências.

No entretanto, na eventualidade da penetração do sub-tipo humano e simultânea penetração do sub-tipo das aves em um usino, como foi demonstrado pelo pesquisador americano, por recombinação de seus respectivos materiais genéticos, o vírus resultante, denominado de super-virus, torna-se patogênico tanto ao homem quanto aos próprios suínos, e a doença daí resultante reveste-se de suma gravidade, vindo a se constituir de epidemia,e caso se espalhe pelo mundo, é a epidemia denominada de pandemia, como ocorreu após a primeira grande guerra, com início dos primeiros casos na Espanha, porisso na época chamada de Gripe Espanhola, quando chegou a causar milhares de vítimas.

Webster analisou fígados de porcos de origem italiana por mais de 12 anos; nas primeiros análises os vírus não apresentavam características a não ser aquelas do vírus humano ou então aquelas do vírus de pássaros, e em nenhum dos casos, tais animais se apresentavam doentes do mal; No entretanto, recentemente, conseguiu isolar de suínos italianos, os chamados vírus híbridos, resultantes da recombinação desses dois sub-tipos, os quais se revestiram de excepcional infectividade e patogenicidade para o homem, motivo de haverem porisso sido denominados de super-virus.

A virulogista Jussara Nascimento, coordenadora no Rio de Janeiro, do Centro Internacional de Referência para o vírus da Influenza, nome esse técnico e sinônimo para a Gripe, esclareceu recentemente, que o material genético desses vírus divide-se em oito segmentos, os quais quando originários de sub-tipos de pássaros e humanos,tais segmentos se reagrupam, misturando-se entre si, e dessa reorganização gênica surgindo os chamados super-virus. Tal fenômeno é parecido com aquele observado entre outras espécies vegetais superiores, como o milho, e denominado de heterose, vigor híbrido ou luxuriância.

Não estando um determinado organismo, quer se trate do homem ou animal, imunizado por infeções anteriores contra aquele super-virus, não existirão portanto em seu organismo anticorpos específicos contra aquele novo sub-tipo; No caso de vir a se infectar com tal sub-tipo, sem defesas orgânicas portanto, a doença virá se exteriorizar com extrema gravidade, como ocorre com populações indígenas quando contagiadas pelo homem branco com uma simples gripe com o vírus que lhe é próprio.

As maiores vítimas da virose são pessoas idosas ou convalescentes de outras infeções, assim como pessoas debilitadas e mal nutridas. Também pessoas que sofrem de asma e outras afeções pulmonares poderão no caso de vir a se contaminar pelo vírus da gripe, terem a doença com evolução grave e até mortal. Pessoas diabéticas que tem maior dificuldade para combater infeções, também são as maiores vítimas da virose, nesses casos, devido às infeções secundárias à gripe que podem se instalar em seus organismos, nas quais podendo inclusive evoluir a doença para formas clínicas graves.

Os sintomas da gripe são por demais conhecidos de todos, iniciando-se quase sempre por lacrimejamento, mal estar e perda do apetite, sobrevindo em seguida corrimento seroso pelo nariz e sintomas de fotofobia, ou seja sensação de incômodo quando exposto à luz, assim como dores musculares e articulares: a chamada popularmente de quebradeira, que obriga a pessoa a procurar o leito, e em muitos casos impedindo exercer trabalhos físicos. Sobrevem em seguida tosse, suores frios e corrimento agora mucoso, pelo nariz, o qual evolui para purulento e, em seguida a cura, ou então na falta de repouso e super alimentação: complicações pulmonares e até pneumonia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) mantém vigilância permanente sobre o vírus da Gripe, melhor dizendo, seus diversos sub-tipos, a traves da coleta de material procedente de pessoas doentes, os quais são enviadas para três centros mundiais de análise,situados na Grã Bretanha, Austrália e nos Estados Unidos, este último, situado em Atlanta, no Estado da Geórgia, denominado Centro de Controle de Doenças. A partir do resultado do sequenciamento genético divulgado por esses três Centros, a OMS, órgão das Nações Unidas, faz a divulgação de qual ou quais devem ser as vacinas recomendadas para os invernos seguintes, já que nos países de Clima Temperado, como o são aqueles do hemisfério Norte, a Gripe se reveste de maior gravidade. No Brasil tal controle é pequeno, principalmente devido nossas características climáticas diferentes daquelas do hemisfério norte. No Verão, a gripe praticamente desaparece , sendo necessária para que ressurja no inverno seguinte, a ação de vetores, como o são as aves migratórias e mesmo o homem em suas viagens intercontinentais, funcionando como disseminadores do mal.

As aves migratórias carregam o vírus de um local para outro, a través de suas andanças, melhor dizendo suas voanças, levando consigo o vírus e os transmitindo a outros animais, inclusive à porcos, os quais na eventualidade de dupla contaminação com sub-tipos originários do homem e de aves , podem dar origem ao sub tipo híbrido - responsável pela ocorrência grave da doença, como foi anteriormente esclarecido.

A Pandemia ocorrida em 1968, conhecida como Gripe Hong Kong, foi devastadora devido ao fato das proteinas externas do vírus, aquelas que desencadeiam as principais reações de demarcação da defesa humana - eram tão diferentes de qualquer outra, que as defesas imunológicas humanas foram pegas de surpresa, e muitas pessoas vieram a perecer devido às infeções secundárias que ocorreram.

Existem no mercado farmacêutico, vacinas modernas, eficientes contra o mal, porém é necessário conhecer-se o sub-tipo de vírus e a vacina haja sido preparada tendo em mira tal sub-tipo, o que nem sempre é possível.

Como tratamento de doentes de gripe, o repouso e a superalimentação são ainda as prescrições básicas.

Isolamento de doentes seria o ideal, quando possível, como medida profilática geral, o que é irrealizável na prática, devido à facilidade com que o vírus se propaga, inclusive a través do próprio ar ambiente.

Veja abaixo alguns fatos do CDC sobre como a gripe suína se espalha entre humanos:

* O vírus da gripe suína tipicamente afeta porcos, não humanos. A maioria dos casos ocorre quando pessoas têm contato com porcos infectados ou objetos contaminados circulando entre pessoas e porcos.

* Porcos podem ser infectados por gripes humanas ou aviárias. Quando um vírus da gripe de diferentes espécies infecta porcos, eles podem se misturar dentro do animal e novos vírus mutantes podem ser criados.

* Porcos podem repassar vírus mutantes de volta para humanos e eles podem ser transmitidos de humanos para humanos. A transmissão entre humanos é mais difícil do que em uma gripe convencional.

* Os sintomas da gripe suína em humanos são similares àqueles da gripe convencional - febre repentina, tosse, dores musculares e cansaço extremo. Este novo surto, aparentemente, também causa mais diarreia e vômitos que a gripe convencional.

* Vacinas estão disponíveis aos porcos para a prevenção da gripe suína. Não há vacina para humanos, embora o CDC esteja formulando uma. A vacina contra a gripe convencional pode ajudar a prover proteção parcial contra o vírus suíno H3N2, mas não contra o H1N1, como o que está circulando agora.

* Não há contaminação pelo consumo de carne ou produtos suínos. Cozinhar a carne de porco a 71 graus Celsius mata o vírus da gripe suína, assim como outros vírus e bactérias.
Fontes: Folha Online e Saúde animal

Update:
Sobe para 11 o número de casos confirmados de gripe suína nos EUA
Três novos casos apareceram neste sábado (25).
Em Nova York, outros oito estudantes estão sob suspeita de contaminação.

Update 2:
Rio - O Brasil trabalha com a hipótese de ter entrado para a rota da gripe suína, doença que já matou 81 pessoas no México, desde o último dia 13. Um homem, de identidade não revelada, e de aproximadamente 30 anos de idade está internado no Instituto de Infectologia de Emílio Ribas, em São Paulo. O mexicano deu entrada no hospital na manhã deste sábado com forte quadro gripal.

O médico responsável pelo caso, Dr. Edmílson Calore, explicou em entrevista a O DIA que, apesar de haver, sim, a suspeita, os exames radiológicos do tórax não sinalizaram algo mais grave. "Provavelmente este paciente não está com a gripe suína", disse.

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