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15 de jan de 2010

Museu do Narcotráfico tem acervo bombástico

O corpo empalhado de Zuyaqui, o cachorro campeão em detecção de droga no México, monta guarda sobre as pistolas de ouro e brilhantes com logotipo de Versace dos senhores do narcotráfico no militar Museu do Enervante. Cerca de duas dezenas de armas douradas, algumas com mais de cem pequenos diamantes e outras com os nomes dos criminosos - como "O Matador" e "O Embaixador"-, gravados nos canos, repousam em suas vitrines. O acervo fica no coração da sede da Secretaria da Defesa Nacional (Sedena), na capital mexicana.

Nem todos os traficantes podem ter uma arma assim, não só por custar até US$ 30 mil (R$ 51,8 mil, o preço de 2 kg de cocaína, aproximadamente), mas porque dependem do respeito e da categoria que tenham conquistado - explica à Agência Efe o guia do local.

- Com frequência encontramos nas armas de fogo algumas gravuras de animais selvagens e joias de luxo, como ouro, brilhantes, rubis, esmeraldas, marfins, além de motivos alusivos a personagens históricos e decorações artísticas. O traficante procura colocar na arma sua personalidade ou parte de sua maneira de pensar, diz o guia.

O luxo da narcocultura está presente em todo o tipo de objeto apreendido, com os chefes e outras "personalidades" detidas - axemplo de um celular de ouro que pertenceu a Daniel Pérez Rojas, "El Cachetes", do grupo Los Zetas, braço armado do Cartel do Golfo. O sinal de identificação de seus membros, uma corrente também de ouro em formato de moeda com um "Z" gravado, também faz parte do acervo.

Ao lado dessa peça, estão os óculos de sol Christian Dior com hastes douradas de Benjamín Arellano Félix, "El Tigrillo", líder do cartel de Tijuana, atualmente preso nos Estados Unidos.

Pendurado na parede está o chapéu branco de "El J.T.", Javier Torres Félix, operador do Cartel de Sinaloa. Existe até a fachada da casa de um traficante. Na porta de madeira há uma advertência com uma espingarda apontada ao visitante, alertando que esta não é uma casa qualquer.

O museu guarda ainda armas com menos ornamentos que as pistolas de ouro, porém mais mortíferas - como uma AK-47, espingarda de assalto por excelência do crime organizado, chamada de "corno de bode" por seu carregador curvado. Também estão ali uma Barrett, uma metralhadora antiblindagem, e uma R-15, outra espingarda de assalto muito utilizada pelos traficantes.

Esta é a parte mais colorida do recinto, criado em 1985 para ajudar no combate às drogas no México, onde os traficantes estão entre os mais poderosos da América.

Em uma das portas existe uma placa com os nomes dos militares mortos em combate contra os cartéis - 640 desde 1976 - e um mural com soldados lutando contra as plantações ilegais.

Em suas salas estão detalhadas todas as ações do Exército na luta contra as drogas. Continuamente, chegam objetos e fotografias de detenções e confiscos. Uma das aquisições mais recentes é uma cuba para processar drogas sintéticas encontrada no maior laboratório de droga desmantelado no país. Estava situado na região montanhosa das Las Trancas, em Durango, parte do "triângulo dourado das drogas" do México, em um pequeno povoado onde o Cartel de Sinaloa fabricava até 100 kg de cocaína por dia.

Nesse local existia uma cabana luxuosa, possivelmentea morada de Joaquín "El Chapo" Guzmán, líder do cartel e um dos narcotraficantes mais procurados.

Também estão guardadas as mensagens enviadas aos soldados para que não destruíssem as plantações de papoula e de maconha.

- Senhores soldados, suplicamos que não estraguem esse trabalho. Se quiserem deixem um bilhete com os seus pedidos que faremos um trato e tudo será resolvido, avisa uma das anotações.

Também podem ser vistos os métodos dos traficantes para transportar a droga, de "mulas" humanas a bonecos e vasilhas de leite. Bem didático e instrutivo.

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