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16 de jun de 2010

Por onde anda o Arakem o Golman?

O pirata Arakém

Longe da tela da Globo há 11 anos, o "showman" tem uma produtora de vídeo e está em busca do tesouro de R$ 120 milhões escondido em uma ilha brasileira

Na década de 70, o publicitário José Antônio de Barros Freire arriscava a própria pele filmando e fotografando guerras civis em países do Oriente Médio, África e América Latina. Essas imagens eram vendidas para revistas e emissoras de televisão. Foram dez anos presenciando corrupção, abusos de poder, mortes, muito sangue e lágrimas. Deprimido, passou a produzir vídeos sobre assuntos mais amenos e se mudou com a mulher, Ivete, para a ilha de Itaparica, na Bahia. "Descobri que não era o poder, a fama ou o dinheiro que me fariam feliz", conta.

Em 1983, a fama e o dinheiro chegaram até ele por acaso. Ao visitar um amigo em São Paulo, Barrinhos, como é conhecido, foi convidado para interpretar um personagem de uma vinheta da Globo que era a antítese do homem forte, bonito e sensual. Da noite para o dia, tornou-se o "Arakém, o showman". Ficou no ar por quase seis anos. Criado a princípio para anunciar a grade de programações da emissora, o "showman" acabou ganhando um espaço maior e passou a fazer as vinhetas da Copa do Mundo de 1986. Aparecia nas situações mais engraçadas, sempre na pele de um torcedor fanático e desajeitado, vestindo a camisa verde-amarela.

"O Arakém era a cara do povo brasileiro e o protegido das meninas", diz Barrinhos. "Ele tentava ser um showman e não conseguia." Ainda hoje é lembrado pelos fãs e abordado nas ruas. É verdade que algumas vezes é confundido: "Fui parado por um senhor em Roraima que me abraçou e achou que eu era o Rolando Lero, do programa Zorra Total. Dei o autógrafo assim mesmo", diverte-se ele.

Enquanto foi contratado da Globo, Barrinhos viveu muito bem. "Posso dizer que o Arakém me deu o meu primeiro milhão de dólares", diz. Mas, mesmo naquela época, o aventureiro Barrinhos não abandonou suas pesquisas jornalísticas. Fez muitas viagens pelo País, com o intuito de levantar a história dos 150 faróis mais antigos do Brasil para um guia que até hoje não foi publicado. Nessas andanças, ele ouviu de pescadores de diferentes povoados o mesmo relato sobre um pirata inglês, conhecido pelo nome Zulmir, que viveu no Brasil entre 1840 e 1880 e teria enterrado um tesouro em uma das ilhas da costa brasileira. Após seis anos de pesquisas, ele se gaba de ser o único brasileiro a ter a história do pirata toda documentada - inclusive o seu verdadeiro nome, que não revela - e um mapa do tesouro. "Ainda não descobri qual é a ilha, mas sei que o tesouro está avaliado em 20 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 120 milhões)." Aconselhado pelo escritor e amigo Fernando Morais, ele pretende, além de ir atrás do tesouro, contar tudo isso em livro.

Voluntário

Barrinhos tem hoje 50 anos, é dono de uma produtora e vive de fazer comerciais, vídeos institucionais e programas de televisão. "Estou em uma posição privilegiada como profissional, tenho condições de escolher o que quero fazer", diz. Na época do Arakém, Barrinhos usou o personagem para fazer campanhas para doação de sangue, recadastramento eleitoral e alfabetização. Em 1989, escreveu o livro Arakém na Antárctica, dedicado às crianças, que, garante, foi um sucesso de vendas. Ele está preparando, voluntariamente, 30 minidocumentários para a campanha anual de arrecadação de fundos da AACD (Associação de Assistência à Criança Defeituosa), que serão exibidos dias 17 e 18 de setembro pela Rede Cultura. Mas não sabe se, convidado, voltaria a atuar diante das câmeras que tanto o projetaram. 









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